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O PREFÁCIO DO ZIRALDO - PARTE VI

Rio de Janeiro - Ontem, estive no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no centro do Rio, onde o jornalista Francisco Ucha relançou o seu livro “Ziraldo - Memórias”. 

Ganhei um exemplar, autografado pelo Ucha.

O livro me surpreendeu. Além da longa entrevista concedida ao “Jornal da ABI”, em 2012, a obra apresenta prefácios, e depoimentos de velhos amigos do Ziraldo, como Ricky Goodwin, Zuenir Ventura, Chico Anysio, Jaguar e Millôr Fernandes.

A seguir, um texto-apresentação, escrito em 2017, pelo Jaguar para o “Jornal da Tarde”, de Salvador (BA), sob o título “Ziraldo Day”:

“Se você digitar no Google “fatos históricos do dia 24 de outubro”, ficará sabendo o principal acontecimento da data em cada ano. Por exemplo: em 1917 foi o começo da revolução russa. Em 1929, o crack da Bolsa de Nova York levou o país à pior depressão econômica  da história dos EUA. Em 1933 foi fundada Goiânia e, em 1945, a ONU. E, no dia 24 de outubro de 1932, em Caratinga (MG), nasce o cartunista, muralista, pintor, cartazista, logotipista, cenógrafo, escritor e teatrólogo Ziraldo Alves Pinto.

Desde o século treze, no dia 4 de abril de 1421, quando nasceu o múltiplo Leonardo da Vinci, não acontecia algo semelhante. Ninguém, nem o Leonardo é perfeito. Foi em 24 de outubro (a partir de agora o Ziraldo´s Day).

Facebook  / Reprodução - 

Ziraldo sempre me deixou de queixo caído pela capacidade de trabalhar noite adentro. Ele mesmo nos comparava à cigarra e à formiga, o sagaz leitor já deve ter adivinhado quem era a cigarra. Ele só parava quando o sol raiava, justamente quando eu chegava de porre em casa e me jogava na cama, sem forças nem para tirar os sapatos.

E também ficava embasbacado com a incrível habilidade dele de desenhista, a firmeza do traço. Com a rapidez de um golpe de florete, é capaz de desenhar um círculo perfeito, algo que às vezes não consigo fazer nem com um compasso.

Ziraldo já deveria ter assento na Academia Brasileira de Letras, há muito tempo, pelo conjunto da obra. Traduzido em quase uma centena de idiomas, Flicts, de 1969, primeiro livro é - como O Pequeno Príncipe, de Exupéry - uma obra prima. Quando os primeiros astronautas visitaram o Brasil, foram presenteados pela Embaixada Americana com exemplares de Flicts.

Outra coisa, a partir de 24 de outubro teremos, até o final de fevereiro, a mesma idade: 85 anos. Já em março voltarei a ser, como disse Ziraldo em uma entrevista, “muito mais velho que ele”. 

E é claro que ele está no Livro dos Recordes como o artista que mais produziu cartazes do mesmo evento. Convidado pelo amigo Dom Helder Câmara, em 1961, já fez 57 cartazes para a Feira da Providência.

Como cartunista , tem coisas antológicas, como o Super Homem sentado no vaso sanitário e a do sujeito com uma faca fincada nas costas dizendo “só dói quando eu rio”. Como caricaturista, nunca se dava por vencido; levou uma semana para conseguir fazer a caricatura de Célia, minha mulher. Mas acabou ficando sensacional. Eu, por mais que tentasse, nunca consegui.

Com a minha caneca cheia de cerveja sem álcool - levanto um brinde pelos 85 anos do Ziraldo, o - segundo ele - “irrebrochável”.
 

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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