Coluna

A alma de torcedor

Ser brasileiro é ser amante de futebol, uma paixão que mobiliza milhões de pessoas nos quatro cantos do país. Ser torcedor é algo completamente inexplicável, aprendemos a gostar de um clube, amar suas cores e bandeiras, a vibrar e emocionar com suas conquistas e derrotas.

O torcedor simplesmente é um apaixonado de forma gratuita. Num mundo tão capitalista, em que as pessoas praticamente só fazem as coisas se tiverem algum retorno financeiro, com o futebol acontece o inverso, o torcedor se envolve, gasta com ingressos, camisas e demais objetos que remetem ao seu clube de paixão, pela simples forma de demonstrar sua emoção, seu sentimento nobre e caloroso pelo seu time de coração. 

Bruno Haddad/Cruzeiro

Quem me conhece sabe que sou um cruzeirense apaixonado, aquele que vibra, que sofre, que brinca, mas que acima de tudo respeita seus oponentes. Por isso me orgulho de vários amigos atleticanos, flamenguistas, vascaínos, palmeirenses, são paulinos... E o que seria do futebol se não fosse a rivalidade, a gozação, as brincadeiras e os encontros para aquela resenha futebolística. 

No último domingo encerrou-se mais uma edição do campeonato brasileiro e infelizmente meu Cruzeiro Cabuloso caiu para a série B, situação que muito me entristeceu. A queda que faz parte do futebol, pois podemos ganhar ou perder, e como já vi várias vitórias talvez agora vivo o momento mais tenso.

Entretanto, o que mais me perturba é ver como o Cruzeiro se tornou o reflexo de um caos. Aparelhado pela corrupção, pelo malfeito, gestado de forma irresponsável e lotado de pessoas que pensaram somente em si, em como iriam se beneficiar ao fazerem parte da administração do clube. Isso sim é terrível! 

Milhões de pessoas, de forma gratuita torcendo, vibrando, chorando e nos bastidores, como ratos administrando em causa própria, pouco se importando com a história do clube, com as suas vitoriosas tradições e principalmente com sua imensa torcida. Isso sim é de doer!

Não poderia deixar de mencionar também as cenas de terror promovidas pelos vândalos que destruíram o Mineirão. Simplesmente inaceitável! Por mais que sejamos movidos pela paixão, não podemos aplaudir a quebradeira, a baderna e nem tão pouco achar que este é o caminho que resolverá nossos problemas. Acima de qualquer coisa a civilidade sempre deve imperar. O fato nos sinaliza o quanto ainda temos que melhorar como sociedade. 

Por fim, que aprendamos com os erros. Que os demais torcedores do Brasil não se iludam pois tem muito clube afundando-se em dívidas. O futebol brasileiro precisa passar urgentemente por uma reformulação administrativa, algo que impeça a irresponsabilidade dos seus dirigentes. Senão correremos o risco de ver acontecer com os clubes o que aconteceu com a seleção brasileira, o fim lento e gradual da paixão.

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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