16,Dec
Coluna

Precisamos, urgentemente, encontrar um norte

Vivemos numa sociedade que parece não saber para onde ir, vivemos sem rumo, sem direção. A polarização política e ideológica na qual nos encontramos fez com que perdêssemos o norte. Assim, não há certo ou errado, mas simplesmente posições que defendem seus interesses, independentemente de qualquer coisa ou situação.

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Sem norte, vamos perdendo também o senso de justiça, pois sempre defendemos um lado e atacamos o outro, seja qual for a situação. Sem norte, sempre surgem as mesmas desculpas ou acusações, basta apenas saber de qual lado a pessoa está, para entender suas convicções. Sem norte, dificilmente as opiniões são imparciais, pois elas sempre existem para defender o que melhor lhe convém. Sem norte, não acreditamos que existem pessoas que sejam imparciais; que procuram analisar o fato, tentando ao máximo, provocar a reflexão. Geralmente as pessoas imparciais são atacadas por aqueles que pensam pelo viés da polaridade. 

Assim é o Brasil. Queremos saber quem matou Marielle, mas ainda não sabemos quem matou Celso Daniel; queremos desvendar crimes de corrupção, mas vivemos fazendo opção por um ou outro, ainda não temos conta que todos, sem exceção, deveriam ser investigados e comprovados os atos ilícitos, punidos: portanto, dos mensalões, passando pelo petrolão, pelo laranjal do PSL e dos demais partidos que fazem a mesma coisa, até chegar às falcatruas do Queiroz e companhia limitada. São tantos os casos que fica até difícil citar. Mas o fato é que nossa bandeira deveria ser o que é correto, o certo, o justo, independente de quem cometeu o ilícito. 

Mas não, como vivemos sem rumo, e enquanto nação não decidimos o que queremos, sempre acusamos um e defendemos o outro mesmo que tenha feito a mesmíssima coisa. 

O resultado do julgamento sobre a prisão em 2ª instância ocorrido no STF é a maior prova deste cenário. Afinal qual foi o melhor voto? Se nossa Constituição proíbe a prisão antes do trânsito em julgado, por que até então a decisão era outra? E se daqui uns meses, caso este tema volte para a pauta do supremo, qual será a nova decisão? E para engrossar ainda mais a sensação de que estamos perdidos, sem rumo, por que o Congresso Nacional não assume de fato o protagonismo que lhe cabe? 

Mas vivemos, “empurrando as coisas com a barriga”, pois na verdade o que interessa aos nossos representantes é a verdadeira bagunça, com ares de que está tudo fluindo bem e organizado.  Em tudo no Brasil fica uma brechinha para ser interpretada conforme a conveniência, basta ver, como exemplo, a Lei da Ficha Limpa e da Responsabilidade Fiscal.

Precisamos urgentemente ter um norte, ter de fato uma segurança jurídica. Saber e agir, concretamente, no que pode e no que não pode. Cumpramos o que está na Lei, mas se elas não nos atendem mais que tenhamos a coragem de propor alterações. O que não dá mais é ficar à mercê desse vai e volta sem fim.

 

 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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