15,Dec
Brasil

Justiça determina a libertação de Lula e notícia repercute em todo mundo

Após 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi solto na noite de ontem (8) após determinação do juiz federal Danilo Pereira Jr, da 12ª Vara Federal de Curitiba, atendendo ao pedido da defesa. 

O alvará de soltura teve por base a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (7), que proibiu as prisões de réus condenados em segunda instância.

Logo após deixar a prisão, Lula foi de encontro aos militantes que fizeram vigília em frente a sede da PF durante todo tempo que o ex-presidente esteve detido. Em seu primeiro discurso agradeceu a todos dizendo que eles eram "o alimento da democracia que eu precisava para resistir à canalhice que lado podre do Estado brasileiro, da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita Federal".

O ex-presidente passou a noite em Curitiba e na manhã deste sábado (9) seguiu para São Paulo onde era aguardado por milhares de pessoas que se concentravam em frente o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde uma recepção com familiares e lideranças do PT foi preparada para Lula.

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O ex-presidente Lula após deixar a superintendência da Polícia Federal em Curitiba (Imagem: Rodolfo Buhrer/Reuters)

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL
A libertação do ex-presidente Lula foi noticiada pelos principais jornais e veículos da imprensa internacional.

O jornal americano The New York Times destacou qualidades de Lula, descrevendo-o como "carismático" e enfatizando sua popularidade, destacando as políticas de inclusão social implantadas durante seu governo. 

A reportagem ainda chama a atenção para o fato de que  "embora Lula não possa concorrer a um cargo público, a menos que consiga revogar sua condenação criminal, sua mera libertação pode causar alvoroço na política brasileira, colocando-o como um rival de esquerda do presidente Jair Bolsonaro, cujas políticas de extrema-direita deixaram o país profundamente polarizado".

O britânico The Guardian destacou a soltura de Lula em seu site, dizendo que ele foi recebido com festa por apoiadores que o aguardavam do lado de fora da carceragem.

O texto que foi escrito pelo correspondente do jornal no Brasil traz uma explicação jurídica para a libertação do ex-presidente, descreve de maneira breve sua trajetória, e relembra que Lula liderava as pesquisas de opinião para a presidência em 2018 quando foi preso. A reportagem cita a chamada "Vaza Jato", uma série de reportagens publicadas pelo site The Intercept Brasil que apontam para supostas irregularidades cometidas pela Força Tarefa da Lava Jato e pelo então juiz federal Sergio Moro, que mais tarde viria a ser nomeado ministro pelo presidente eleito Jair Bolsonaro.

Outros veículos importantes como o francês Le Monde, o italiano Corriere Della Sera e o americano Washington Post também deram destaque à libertação de Lula.

Autoridades políticas e celebridades também usaram suas contas no Twitter para se manifestar sobre o assunto do momento.

Bernie Sanders, pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo partido Democrata, disse em sua conta no Twitter que Lula "fez mais do que qualquer outro para reduzir a pobreza no Brasil e defender trabalhadores. Estou muito feliz que ele tenha sido solto da prisão, algo que não deveria nem ter acontecido".

Já o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, usou sua conta no Twitter para dizer que se comove "com a força de Lula para enfrentar a perseguição".

O eterno camisa 10 da Argentina, Diego Maradona, também usou suas redes sociais para comemorar a libertação de Lula. “Hoje se fez a justiça”, escreveu o craque argentino.

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