Lula diz que fará “a maior política de inclusão da história do país” e rebate Trump sobre regulação das Big Techs
Em entrevista à Rádio Itatiaia, presidente detalha programas sociais, ações de segurança pública, investimentos do Novo PAC e política externa; Lula também prometeu avanços em habitação, combate ao crime organizado e regulação das plataformas digitais
Belo Horizonte - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que a marca de seu terceiro mandato será “a maior política de inclusão social da história desse país”. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia, em Minas Gerais, onde cumpre agenda com anúncios do Novo PAC e inauguração de obras.
Lula destacou que a meta de seu governo até 2026 é consolidar programas sociais e de educação. “Minha marca vai ser o PROUNI, o FIES, os Institutos Federais, o combate à fome, o Luz do Povo. A minha marca vai ser o gás de graça para as pessoas mais pobres desse país”, afirmou. O presidente também citou o programa Pé-de-Meia, que beneficia quase 350 mil estudantes mineiros, e a expansão da Escola em Tempo Integral.
Na saúde, Lula lembrou que o número de médicos em Minas Gerais dobrou com o Mais Médicos, e que a gestão retomou políticas como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Ele também anunciou um novo plano habitacional, paralelo ao Minha Casa Minha Vida, e reiterou a defesa da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Segurança pública e crime organizado
Lula ressaltou a prioridade do governo no combate ao crime organizado e classificou como “a operação mais importante da história dos 525 anos do Brasil” as ações deflagradas nesta semana pela Polícia Federal em conjunto com outros órgãos. As operações Quasar, Tank e Carbono Oculto bloquearam R$ 3,2 bilhões em bens e investigam movimentações ilícitas de R$ 140 bilhões.
“Descobrimos que tem muita gente ligada ao crime organizado. Agora queremos saber quem é que efetivamente faz parte do crime organizado. Nós vamos mostrar a cara de quem faz parte disso neste país”, declarou.
O presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, que fortalece o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), amplia a integração das polícias e inclui as Guardas Municipais como órgãos oficiais de segurança. Ele também antecipou que nos próximos dias vai inaugurar, em Manaus, um Centro de Combate ao Narcotráfico com articulação de países vizinhos.

Investimentos e Novo PAC
Ainda em Minas, Lula anunciou a expansão do metrô de Belo Horizonte com aporte de R$ 1 bilhão e entregou obras de mobilidade em Contagem, como parte do Novo PAC. O governo também projeta investimentos de quase R$ 3 bilhões em biocombustíveis a partir da macaúba, em Montes Claros, e um aporte de R$ 446 milhões para ônibus elétricos na capital mineira.
Política externa e regulação digital
O presidente aproveitou a entrevista para comentar as declarações de Donald Trump, que ameaçou impor tarifas a países que regularem empresas de tecnologia norte-americanas. Lula reafirmou que o Brasil manterá sua soberania.
“O que é importante o presidente americano compreender é que o Brasil tem uma Constituição, o Brasil tem uma legislação e todas as empresas de qualquer nacionalidade que estejam implantadas no Brasil se submetem à legislação brasileira. Nós queremos defender as nossas crianças, os nossos adolescentes. Semana que vem daremos entrada no Congresso Nacional à proposta do governo para regular definitivamente as Big Techs”, disse.
O petista também ressaltou a assimetria no comércio bilateral: “Mais de 73% dos produtos americanos que entram aqui não pagam imposto. Dos 10 mais importantes, 8 são zerados. E a média do que eles pagam é 2,7%. É quase nada”.
Segundo o presidente, o Brasil abriu 402 novos mercados internacionais desde 2023 e não depende de um único parceiro. Em outubro, Lula participará de encontro na Malásia com 11 países asiáticos. Já no dia 9 de setembro, discursará na Assembleia-Geral da ONU, com foco em democracia, multilateralismo e na defesa do Estado Palestino.
“Eu acho que vai ser um discurso importante na defesa da democracia, na defesa do multilateralismo. Não é aceitável o genocídio que está acontecendo em Gaza. Eu sou favorável à criação do Estado Palestino e não abro mão dessa posição”, concluiu.
Comentários